javascriptNotEnabled

Home \ Comunidade \ Blogs \

Paciente e oportunista

A calma de esperar as boas oportunidades faz o jogador prosperar.
Enviar MP

Saudações,

Enquanto esporte da mente, o pôquer é por excelência um jogo de inteligência, em que as melhores decisões trazem os melhores resultados no médio e longo prazo.

Para a nossa sorte e alegria, a maior parte do field ignora essas questões e joga de maneira equivocada (burra) e a melhor forma de tratar esses jogadores é com inteligência, mas não restritamente àquele conceito a que estamos habituados, relacionado ao QI, pois não é ele que define o sucesso no pôquer, apesar de ser indispensável. Ademais, todos temos dias de brilhantismo e de burrice.

Por exemplo, no meu caso particular, fiz um teste de QI há alguns anos, que indicou uma inteligência acima da média, colocando-me entre os 15% mais inteligentes da população. Considerando que boa parte dos MTTs distribuem prêmios para mais de 15% do field, eu deveria estar muito satisfeito, pois haveria de ganhar dinheiro em todos os torneios que disputo. Entretanto, isso está muito longe da realidade, pois não é o QI, isoladamente, que define o sucesso no pôquer.

Eis que chegamos ao ponto que há muito tempo quero discorrer aqui no blog, mas que venho adiando há uns quatro meses (ainda bem, pois sou um jogador muito diferente do que era há quatro meses).

Hoje pretendo falar sobre a importância de desenvolver a inteligência emocional para evoluir no pôquer. Entretanto, é importante lembrar que esse não é um tema inédito aqui na escola. Depois que já tinha decidido escrever sobre isso, descobri que o tema já tinha sido diretamente abordado pela SUSANA.BR em seu blog, vale a pena ler, vou deixar o link. Ainda assim, mantive minha resolução de produzir esse texto, para reacender a discussão e tentar contribuir um pouco com a minha visão sobre o assunto.

Num primeiro momento, o termo inteligência emocional pode até parecer ambíguo, quase um conflito entre razão e emoção. Todavia, com um pouco de atenção percebemos que faz todo sentido e que é indispensável para o desenvolvimento de vários aspectos da vida, dentre eles o pôquer.

A inteligência emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos; e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns (Gilberto Vitor).

“Motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações”; esse é um dos fundamentos do pôquer. É imprescindível saber digerir a derrota e continuar; tomar aquela bad beat e continuar; errar, reconhecer, corrigir e continuar.

Ganhar é a coisa mais fácil do mundo. É só ficar feliz e aproveitar. Saber lidar com os infortúnios é que define quem é o bom jogador de pôquer.

Em um dos primeiros treinamentos ao vivo de 2016, o Xande.br falou uma daquelas coisas simples, mas esclarecedoras. Ele disse algo como: o jogador de MTT vai passar uns vinte dias por mês chorando e só uns três sorrindo (não com essas palavras, mas nesse sentido).

Ou seja, quem joga MTT, vai ter muito mais dias de derrota do que de vitória; mas as poucas vitórias devem compensar as derrotas para que o jogador seja lucrativo.

Como eu disse, ganhar é muito fácil. Naqueles dias em que tudo está tranquilo e favorável, em que o baralho é bondoso, não há nada a fazer além de aproveitar.

Entretanto, como disse um tal Rocky Balboa, “não importa o quanto você bate, mas o quanto aguenta apanhar e continuar lutando. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”.

Sempre que vejo algum profissional falando de bad beats, eles dizem para esquecer e seguir em frente. Esse é o objetivo. Mas como o lucro, deve ser pensado no longo prazo.

Para quem é iniciante, como eu, pela minha pouca experiência, o que posso dizer é: não fuja do que você sente. Tomou uma baralhada, sinta raiva, fique triste. Não há como exigir uma conduta diferente dessa, de um iniciante. Entretanto, não perca o controle. Absorva tudo, racionalize suas emoções e siga em frente.

Há alguns meses, sofri uma derrota que mexeu muito comigo. Estava jogando a Liga Open, tentando chegar três vezes consecutivas entre os 400 melhores, para conseguir o bilhete para o Big Bang. Consegui duas vezes, na terceira o torneio estava complicado, não fiquei confortável em nenhum momento, fui apenas sobrevivendo. Restando menos de 440 jogadores, eu estava perto da posição 360, com uns quatro blinds, bastava esperar mais umas duas ou três mãos e ganharia o bilhete.

Eis que estou no Big Blind com Q3, a mesa roda em fold e o SB completa e eu vejo o flop de graça, com uma mão que eu foldaria tranquilamente. O flop vem QQx, eu penso que posso dobrar e ficar quase vivo no torneio e tentar aprontar mais alguma coisa. O vilão faz uma pequena aposta e eu estouro a minha trinca. Ele apresenta QT e me elimina em 431.

Essa machucou demais. Era uma mão que eu fui “obrigado” a jogar e o baralho apronta uma dessas. Dormi mal naquela noite, fiquei muito triste por alguns dias. Muito desanimado. Passei uns três dias sem vontade de jogar e quando jogava só fazia burrada.

Mas me recuperei e voltei a jogar, ainda melhor do antes, com mais gana e mais calejado. Depois disso, levei várias baralhadas, algumas talvez piores, mas nada me machucou daquele jeito.

Consegui absorver o dano e ficar mais forte. É isso que entendo que seja o melhor para os iniciantes, sinta tudo o que tiver para sentir, mas não perca o controle. Use isso como um meio de ficar mais forte e progredir no jogo.

Algumas vezes as pancadas são tão fortes que precisamos nos afastar um pouco, mas sem fugir. Saia com os amigos, leia um livro, ouça boa musica, assista um filme, enfim, como eu disse em um post anterior, inspire-se. Volte a tentar quando não estiver doendo mais, quando tiver retomado o controle.

Com isso, coisas menores não incomodarão mais. Hoje até acho graça de algumas bads. Com o tempo, poderemos alcançar o objetivo de ignorar as baralhadas e seguir em frente, jogando uma mão de cada vez.

Esse é um dos meus principais objetivos para esse ano, controlar minhas emoções para que elas não atrapalhem nas tomadas de decisões.

Hoje o texto ficou muito grande, mas espero que tenha sido proveitoso. Que vocês reflitam sobre isso e procurem desenvolver esse tipo de inteligência para melhorar o jogo.

Obrigado pela leitura.

Nos vemos nas mesas.

 

 

https://www.intelipoker.com/blogs/SUSANA.BR/POKER-E-INTELIGENCIA-EMOCIONAL

Para fazer um comentário, você precisa realizar seu login ou se registrar.
Fazer o Quiz
Novo por aqui? Faça nossa Avaliação de Poker para iniciar o seu aprendizado.
já é um membro? Fazer Login
javascriptNotEnabled
Aprenda Estratégias básicas até avançadas
Pratique Melhore suas habilidades com os nossos Instrutores
Ganhe! Se estabelecer como um jogador ganhador