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Paciente e oportunista

A calma de esperar as boas oportunidades faz o jogador prosperar.
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Saudações,

O pôquer é, antes de tudo, um jogo de ajustes. É impossível encontrar uma receita mágica para alcançar os bons resultados.

Retomando a temática do desenvolvimento de um jogo próprio, percebi o quanto esse assunto é recorrente aqui no blog. Esse é o terceiro texto que irá tratar diretamente sobre o tema. Escrevi o primeiro deles quando ainda pretendia jogar torneios e fiz minha primeira FT, jogando da forma que acreditava ser a melhor para aquele Field. O outro já foi durante a migração para o Cash, numa fase em que eu estava estudando bastate e via os grandes jogadores falando para soltar o jogo, mas isso não funcionava no Field que eu enfrentava.

Hoje vamos ir um pouco mais fundo nessa questão. Do por que do jogo que funciona para “todo mundo” não funciona para a gente.

Outro dia eu estava assistindo a uma transmissão do Innerpsy, em que ele jogava Cash nos High Stakes, no caso NL500. Apesar de não entender uma palavra sequer do que ele falava, pois a transmissão era em russo. Fiquei um bom tempo observando os ranges que ele abria raise, dava call, aplicava 3bets, enfim. Tentei analisar as jogadas e perceber os motivos das decisões. Muitas vezes vi algumas jogadas bizarras, tanto dele como de seus adversários. Jogadas bem parecidas com as dos saudosos companheiros da NL2. Mas na verdade eram só parecidas mesmo. A razão para um jogador de High Stakes pagar uma 3bet com 96o é totalmente diferente do que motiva um jogador de Micro a fazer a mesma jogada. Lá em cima o Field é incomparavelmente menor, de modo que todos os regulares devem se conhecer, o que eleva o jogo a um nível de pensamento absurdo. Então quando eu via alguém fazendo essas jogadas “duvidosas”, só conseguia imaginar que o jogador devia ter muita informação do seu adversário.

Eu não estava entendendo o que ele falava, mas dava pra supor que ele estava explicando: “aqui eu prefiro essa jogada por isso ou aquilo”. O que eu sei é que para aquilo funcionar nos limites que eu jogo, atualmente NL5 e iniciando a migração para a NL10, precisaria operar muitos ajustes.

Pôquer é jogo de pessoas, baseado na matemática, mas o grande fator é a cabeça, a personalidade de quem joga. O que 30% de equidade representam para um jogador pode ser muito diferente do que representam para outro. A ideia de risco e recompensa é totalmente subjetiva.

Vejo muito em vídeos e/ou artigos de alguns bons jogadores, ou mesmo em alguns fóruns, jogadores defendendo algumas linhas, matematicamente embasados, que eu particularmente discordo, por saber que, no field que eu jogo, elas não funcionam muito bem. Quando vejo comentários do tipo: “se você não defende o seu Big com essa mão, você está foldando demais”, ou “tem que abrir essa mão, está jogando duro demais”, ou ainda, “essa mão dá pra atolar pré flop; dá pra ir de 4bet/shove”.

Durante um tempo isso me incomodou, ficava me sentindo um jogador ruim (não que hoje eu seja muito bom), que só esperava cartas, em vez de explorar as situações. Tentei mudar e as coisas deixaram de dar certo, as jogadas bonitonas dos profissionais não funcionavam no field em que eu estava, tive que recuar para voltar a ganhar.

O mais importante, principalmente nos limites baixos, não é jogar bonito, jogar da forma mais criativa. Não há nada mais bonito do que ganhar. Isso geralmente é feito com o ABC do pôquer, quando se joga barato.

Antes de seguir os ensinamentos e as estratégias de outros jogadores (antes mesmo de seguir o que está neste texto) é preciso ter em consideração o field que vamos enfrentar. Não adianta nada ver a explicação de uma mão de High Stakes e tentá-la aplicar integralmente em outros limites. Cada mão é única. Da mesma forma que cada jogador é único.

Esse é o ponto. A matemática é uma ciência exata, mas o pôquer nunca será. Dificilmente uma mão de pôquer vai oferecer uma única solução matemática. Em regra serão várias linhas e abordagens possíveis para cada situação.

Pôquer é jogo de ajustes. O primeiro deles deve ser em relação ao próprio jogador. Encontrar a forma mais confortável de jogar; aquelas linhas em que o jogador se sente mais tranquilo para praticar seu melhor jogo. Não me adiantaria querer jogar igual ao Fedor Holz, sendo o Barba Ruim.

Por exemplo, é praticamente impossível determinar qual a melhor forma de jogar um JJ pré flop, diante de um raise inicial. Tanto a 3bet como o call têm seus méritos. Tudo vai depender dos outros fatores envolvidos e de como você se sente melhor jogando essa mão. Isso não significa dizer que após definir a sua linha favorita, todos os JJ serão jogados da mesma forma. A questão é se ajustar.

Após encontrar a forma de jogar que lhe seja melhor, que lhe faça bem, que lhe proporcione segurança ao tomar as decisões, cabe ajustar a forma de jogar aos jogadores que enfrentamos. É comum os jogadores reclamarem que nos limites mais baratos os adversários não soltam nada (eu mesmo já reclamei muito disso), sendo assim, o ajuste se dá no nosso range de valor. Se os caras pagam tudo, vamos fazer com que eles paguem nossas melhores mãos.

Portanto, antes de tentarmos aplicar friamente tudo aquilo que aprendemos com os melhores, nós precisamos ajustar esse conhecimento a nossa realidade. Não dá para fazer as jogadas mais elaboradas, esperando que elas funcionem sempre, pois boa parte do field sequer vai entender nossas intenções.

Não há uma única forma de jogar pôquer. Se fosse assim, o jogo já teria estagnado há algumas décadas. Não há um modo que seja o certo sempre, para todo mundo. Há linhas que funcionam melhor para alguns jogadores em relação a outros. Se um indivíduo de personalidade mais calma e conservadora pretender jogar de forma mais solta e arriscada, ele não terá sucesso. Da mesma forma, se um cara mais explosivo e desenrolado tentar jogar mais duro, ele também não se dará bem, pois o jogo lhe será muito chato. Matematicamente há uma margem do que é bom ou ruim. Dentro do que é bom, há uma infinidade de possibilidades. Tudo é questão de ajuste.

Obrigado pela leitura.
Nos vemos (ajustados) nas mesas.
Abraço.

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