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/Jul/2016

Trabalhando a memória

Por: Barba Ruim @ 19:26 (-03) / 20 / Comentário ( 1 )

Saudações,

A memória representa um dos principais elementos da produção de conhecimento, seja para aprendermos coisas novas, seja para não esquecer o que já sabemos. A memória é fundamental para o desenvolvimento da inteligência e da criatividade, além de outros aspectos indispensáveis para o crescimento do indivíduo enquanto ser pensante. Embora outros animais possuam uma memória melhor que a humana, é o uso que fazemos dela que nos torna a espécie dominante.

A ciência lista vários tipos de memória, mas como o objetivo aqui não é esgotar o tema, vale destacar apenas as que mais podem ser aplicadas no pôquer.

A primeira delas, e mais comum, é a memória episódica, que representa a parte onde guardamos todas as nossas experiências de vida. Sempre que precisamos lembrar algum evento passado, recorremos à memória episódica. Ela é a principal responsável pelos novos aprendizados, bem como daqueles que precisamos lembrar quando necessário. É aqui que podemos lembrar características exploráveis dos adversários, etc.

Outro tipo de memória importante para o pôquer é a memória de curto prazo, também conhecida como memória de trabalho. Refere-se a informações relevantes apenas para aquele momento, sem muita importância no longo prazo. Por exemplo, quem joga várias mesas não tem como prestar atenção em todas as ações o tempo todo. Eu, particularmente, só foco quando a mesa chama a minha atenção. Mas quando chega a minha vez, preciso lembrar quem foi o agressor pré-flop, entre outros pequenos detalhes que só importam para aquela mão específica. Já me peguei saindo de lead, achando que estava cbetando, por alguma desatenção e falha nesse tipo de memória.

A combinação desses dois tipos de memória é fundamental para a melhora do jogo de todos nós.

Outro tipo de memória (mal)utilizada pela maioria dos jogadores, é a chamada memória seletiva, aquela em que lembramos com mais clareza de alguns momentos em detrimento de outros menos interessantes.

Especialistas explicam esse fenômeno relacionando-o com as emoções, de modo que um momento com uma grande carga de adrenalina, que causa um impacto maior no indivíduo, pode ser facilmente lembrado em relação a um acontecimento normal, sem grande emoção. Por exemplo, durante a infância e começo da adolescência, eu praticamente não saia de cima da minha bicicleta, até para ir à padaria da esquina tinha que ir pedalando. Assim, durante aqueles anos pedalei centenas de quilômetros. Evidentemente, não consigo me lembrar de todos. Mas, curiosamente, lembro com clareza das vezes em que caí e me machuquei. Esses eventos diferenciados podem ser facilmente acessados na memória.

No pôquer, a memória seletiva se apresenta com frequência quando o assunto é Bad Beat. Em um torneio, jogamos centenas de mãos, mas, geralmente, vamos lembrar com mais facilidade daquela Bad que nos eliminou, ignorando todas as outras mãos em que fomos bem.

Um fato que nunca podemos esquecer, é que o baralho não tem memória. Não importa se ganhamos dez flips seguidos, ou se levamos vinte baralhadas seguidas. Cada mão deve ser vista isoladamente, pois a matemática atua sobre elas individualmente.

Nunca vi ninguém falando dos dias em que tudo dá certo, mas sempre vejo a galera reclamando dos dias de ferro. Nas últimas semanas tenho percebido que o PS tem alguns dias de “mãe”, aqueles dias maravilhosos, em que nossos draws sempre batem, em que sempre tem um coitado com KK na mesa quando recebemos AA, enfim, dias em que nos damos muito bem. Por outro lado, também há aqueles dias que o PS está carrasco, em que só apanhamos. É natural, a matemática é implacável com todo mundo. O importante é lembrar que todos nós temos dias bons e dias ruins, seja pela qualidade do nosso jogo, seja, em menor proporção, por questões do acaso.

Se você é daqueles que lembram mais frequentemente das baralhadas, há uma notícia boa: um estudo da Universidade de Lund, na Suécia, indica que as pessoas são capazes de treinar seus cérebros para apagar determinadas memórias, inclusive as embaraçosas. O método consiste em se esforçar para reprimir lembranças desagradáveis, ou seja, não remoer aquilo que aconteceu. Mas se você for mais Hard Core, na Holanda, pesquisadores usam terapia eletroconvulsiva para apagar memórias específicas. Se você não consegue esquecer aquela Bad e isso está te deixando triste, vá para a Holanda, que lá os cientistas irão dar eletrochoques na sua cabeça e você ficará de boas para voltar a jogar.

A memória é um dos atributos mais fascinantes do cérebro humano e saber como usá-la bem pode trazer muita eficiência para o nosso jogo. Vamos trabalhar para melhorar os aspectos importantes e ignorar aqueles que não têm nada a somar. Tomou uma Bad? Esquece. Segue o jogo. Com o tempo até conseguimos achar graça delas, como nesse caso:

Percebam que entrei dominando todo mundo e não ganhei de ninguém. Poderia ter ficado muito irritado, entrado em Tilt, mas isso não mudaria o resultado da mão. Segue o jogo. Nunca me esforcei para esquecer essa mão porque achei uma situação engraçada, afinal, foram três Bads pelo preço de uma.

Então é isso, vamos trabalhar para desenvolver o que há de melhor na nossa memória, que consequentemente iremos melhorar nosso jogo. Deixemos de lado o que não é importante. E vamos meter fichas.

Obrigado pela leitura.
Nos vemos nas mesas.
Abraços.

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