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Compêndio bêbado sobre o poker

Histórias ou estórias inusitadas sobre o poker.
Por: KaykeLi
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O cenário era um galpão abandonado na cidade velha. Diziam que já havia sido uma fábrica de tecidos, um lar comunitário e um ponto de encontro de maconheiros e alguns safados que não tinham dinheiro para pagar um motel, no entanto, naquela noite, aconteceria ali a maior partida de poker da minha vida. Horas antes, eu estava bebendo em um bar, desolado por ter perdido a mulher para um cara mais jovem, estudado, que cheirava a perfume de rosas e, o mais importante, não jogava poker. Eu procurava, através do álcool, entender o que ele tinha que eu não tinha. Até aquele momento, a única coisa que eu pensava era: Ela me trocou por um marica. De repente, uma voz doce soa aos meus ouvidos.

– Dia difícil? – Ela me pergunta.

Virei para ver de quem se tratava. Era um anjo com 600 ml de silicone e um corpo que não pesava mais do que sessenta quilos. Pura tentação. Mas era o que eu estava precisando para sair daquele sofrimento.

– Até agora sim. – Respondi.

Ela se sentou ao meu lado. Pegou na minha perna (fui ao céu), a sua mão era tão delicada que quase não senti. Pensei por instantes estar sonhando ou bêbado de mais para não distinguir o que era bonito e o que era feio (sabe aquele estágio do álcool que qualquer coisa se torna uma Juliana Paes? Pois é). Ela falou:

– Vou ser sincera. Sou o diabo.

Eu ri. Soltei uma gargalhada. Uma bonequinha daquelas com seios lindos e ainda dizendo que era uma diabinha? Era aquela a minha noite.

–Eu gosto disso. Atitude, garota.

–Não. Você não está entendendo. Eu sou mesmo o diabo, ou belzebu, satanás... Sei lá, como você preferir.

Havia duas coisas no mundo que eu tinha medo. A primeira era encarar um All in com Phill Ivey, a segunda era encarar o diabo. Aos poucos, começando a encarar aqueles olhos negros e já não tão inocentes assim, fui percebendo de que ela(e) não estava de brincadeira. Imediatamente eu tirei o sorriso do rosto. Não ia pegar o diabo, nem à pau.

–Não fique com medo de mim. Vim apenas lhe fazer uma proposta. Sei que você ta passando por momentos difíceis, por isso, vou lhe dar uma oportunidade. Boas línguas me disseram por aqui que você é um ótimo jogador de poker. E faz tempo que eu não jogo com alguém tão bom. Gostaria de jogar uma partida?

Parei. Pensei. E por mais que me dissessem que o diabo era um bicho traiçoeiro, eu era tão confiante no poker que acabei aceitando. Mas claro, antes perguntei quais as condições. Ela(e) disse:

–Se você ganhar, terá sua mulher de volta, cinco milhões em dólares e um desejo. E se você perder, a sua alma será minha.

ACEITO!

Uma hora depois, voltamos, pois, ao cenário inicial desse texto. Estávamos, eu e o diabo, num galpão abandonado, sentados frente a uma mesa de poker. Ele me encarava fixamente, enquanto as minhas fichas se reduziam à metade em menos de vinte minutos de jogo. MERDA! Fiz um péssimo negócio. Em menos de um dia perdi a mulher para um afeminado, e agora vou perder a minha alma para o diabo. Duas horas de jogo, eu havia retomado boa parte das fichas perdidas, mas o desgraçado ainda estava em vantagem, mas vantagem pouca. De 50 fichas somente. Eis que resolvi ser agressivo, ser agressivo com o diabo, até aquele momento me parecia algo perigoso, mas não. O diabo é covarde. Eu não tinha jogo algum e dei ALL IN. Ele correu. Na segunda vez, a mesma coisa. Só que na terceira. Parece que foi provocação de Deus. Me veio 6-6. Dei ALL IN novamente. Ele pulou da cadeira, berrando:

–Ahhh! Você só pode estar de brincadeira. Ta achando que o diabo é besta.

Pagou p’ra ver. Ele virou a carta. Quando vi as cartas do infeliz, não me entrava nem vento por buraco algum. Pensei ter perdido tudo. Veio o Flop. Nada. Veio o Turn. Nada. Veio o river... ah, o river, o momento sensacionalista do poker. Veio outro 6. O belzebu endoidou. Virou mais de cinco pessoas em menos de cinco segundos. Mudou de voz. Deu um chilique. Mas logo parou. Se recompôs olhou para mim e disse:

–Bem, parabéns! Agora que você ganhou, terá o que lhe é de direito. Quando você chegar em casa, sua mulher estará lhe esperando com uma lingerie vermelha atraente e em sua barriga estará escrita a conta com cinco milhões de dólares. Disse ele.

Eu me virei, andei lentamente até a saída. Porém, antes que eu chegasse até a porta, ele gritou:

–Ah, não gosto de dever nada a ninguém. Você ainda tem um pedido.

Eu estava esperando ele dizer isso, pois como todo velho jogador de poker, não se pode perder a provocação. Virei, com uma cara cínica e o fiz:

–Então... Vê se muda de número, pois o 666 agora é meu.

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